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Seca avança globalmente e será tema central da COP17 na Mongólia

COP17 será em Ulaanbaatar entre 17 e 28 de agosto; projeções mostram risco crescente à água e à agricultura

Redação POLITICA.SP16 de ago. de 2026 · 22h023 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Seca avança globalmente e será tema central da COP17 na Mongólia
Reprodução: www.tribuna.com.br

A seca avança globalmente e estará entre os temas centrais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, Mongólia, de 17 a 28 de agosto.

As projeções indicam que, até 2050, três em cada quatro pessoas poderão ser afetadas, e a demanda global por água deve superar a oferta em até 40% até 2030.

Yasmine Fouad, secretária executiva da UNCCD, pede urgência na aplicação de soluções concretas nos territórios durante a conferência.

No Brasil, todas as cinco regiões registraram seca em julho de 2026; 157 municípios foram classificados em situação de "seca severa" pelo monitoramento nacional.

O Monitor de Secas é coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Cemaden divulga boletins mensais; José Antonio Marengo, do Cemaden, afirma que a tendência é de ressecamento e aumento da temperatura.

O Observatório Global da Seca destacou temperaturas acima da média na Europa em julho, com ondas de calor prolongadas.

A seca aparece em formas distintas: meteorológica (chuvas abaixo da média), agrícola (queda de umidade para plantas) e hidrológica (impacto em rios, reservatórios e aquíferos).

Alexandre Pires, diretor do departamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, afirma que nos últimos 30 anos houve secas severas nas cinco macrorregiões; Nordeste e Norte de Minas Gerais sofreram muito entre 2012 e 2017.

O Cemaden registrou aumento de territórios indígenas em seca severa de 3, em junho, para 17, em julho; assentamentos rurais com seca extrema subiram de 2 para 44, e as áreas com seca severa foram de 102 para 309.

Humberto Alves Barbosa, pesquisador do Lapis (Ufal), alerta para secas mais longas e para secas-relâmpago de curta duração e alta intensidade durante o verão.

A Organização Meteorológica Mundial prevê um El Niño mais forte entre agosto e outubro de 2026, com padrões de chuva que podem agravar secas no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste do Brasil.

O Programa Mundial de Alimentos estima que a insegurança alimentar aguda pode subir de cerca de 225 milhões para 275 milhões de pessoas se os impactos se concretizarem.

Toya Manchineri, coordenador-geral da Coiab, disse: "O que vivenciamos não foi uma estiagem isolada, mas um colapso ambiental em curso".

Espera-se que a Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), da qual o Brasil participa desde 2024, influencie negociações e estimule investimentos em monitoramento, recuperação de áreas e gestão da água durante a COP17.