Relatório mostra avanço social, mas desigualdade interna derruba Brasil a IDH médio
IDHM subiu a 0,805 em 2024, mas ajuste por desigualdade reduz para 0,641 — queda de 20,4% que reverte ganho médio

O Brasil alcançou IDHM 0,805 em 2024 e entrou no grupo de muito alto desenvolvimento humano.
A correção do IDH pelas desigualdades internas leva o índice a 0,641, perda de 20,4%, repondo o país ao nível de desenvolvimento humano médio.
O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado em 12 de agosto, registra melhora em 34 dos 48 indicadores acompanhados, com queda da taxa de desocupação para 5,6% em 2025, rendimento médio real de R$ 3.376 e redução da proporção em domicílios com até meio salário-mínimo de 25,4% para 24,7% (1,4 milhão de pessoas a menos).
Entre 2023 e 2024, a insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% para 7,7%; a desnutrição infantil caiu de 3,6% para 3,4%; a desnutrição entre idosos caiu de 12,4% para 11,9%; o analfabetismo entre maiores de 15 anos caiu de 5,3% para 4,9%.
A escolarização líquida no ensino médio subiu de 71,3% em 2022 para 77,6% em 2025; entre jovens negros subiu de 64,3% para 72,0%; a taxa de ensino superior passou de 20,2% para 23,7%.
O rendimento médio do 1% mais rico passou de 30,2 para 31,5 vezes o dos 50% mais pobres em 2025; mulheres recebem 72,2% do rendimento dos homens; mulheres negras têm rendimento médio de R$ 2.184, 42% do valor recebido por homens não negros.
Os piores indicadores sociais estão concentrados no Norte e no Nordeste, com maiores percentuais de pobreza, insegurança alimentar, analfabetismo, mortalidade infantil e menor acesso à creche.
A SBPC realizou a 78ª Reunião Anual de 26 de julho a 1º de agosto na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, com 168 atividades científicas; 43 trataram de desigualdade, equidade, inclusão, ações afirmativas ou justiça social.
O caderno Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos foi produzido em treze rodadas de escuta e organizou propostas em sete eixos, confirmadas pelos números do relatório.
As mesas da SBPC defenderam três compromissos para CT&I: preservar o FNDCT integral e não contingenciado; manter 60/40 majoritariamente não reembolsável; estabelecer metas regionais explícitas de distribuição de recursos e recompor o CT-Amazônia.
"A ciência brasileira conhece essa estrutura e sabe também que transformá-la não cabe em um ciclo eleitoral; cabe em um projeto de década", disse Francilene Garcia, presidente da SBPC.
As propostas incluem correção do desequilíbrio entre ICTs e empresas, e metas regionais de fomento como próximos passos concretos para reduzir as fraturas territoriais e sociais.