Real perde fôlego entre emergentes; eleição já pesa sobre a moeda
JPMorgan rebaixou ativos brasileiros e MSCI excluiu ações da Stone; mercado desmonta posições antes da campanha.

O real caiu cerca de 2,5% frente ao dólar na semana, com investidores reduzindo posições compradas ante o risco eleitoral.
O dólar acumulou cinco altas consecutivas e chegou a superar R$ 5,23 nesta sexta-feira, maior nível desde o início de julho; a média móvel de 200 dias está em torno de R$ 5,20.
JPMorgan rebaixou a recomendação para compra de ativos brasileiros e a provedora de índices MSCI excluiu papéis da Stone da carteira de referência para o país, acelerando o movimento de saída de grandes fundos.
No mesmo período, o peso mexicano e o peso colombiano avançaram 0,60% e o won sul-coreano teve leve alta de 0,06%, enquanto o real foi o pior desempenho entre as moedas mais líquidas.
Analistas dizem que o mercado já precifica o prêmio eleitoral porque as propostas e a sustentabilidade fiscal condicionam a disposição de investidores em manter capital no Brasil.
"O real teve o pior desempenho entre as moedas mais líquidas no período, mesmo com o enfraquecimento global da moeda norte-americana", afirmou Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico.
"Grandes fundos globais estão reduzindo posição no Brasil para se protegerem da volatilidade do período eleitoral e das incertezas no campo fiscal", declarou Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
Os partidos têm até este sábado (15) para registrar candidatos; a campanha eleitoral começa oficialmente no domingo (16).