Presidente da Finep diz que FNDCT não basta para corrigir desigualdade regional em CT&I
Em painel na 78ª SBPC, Luiz Antônio Elias apontou limites do fundo e pediu maior participação da comunidade científica e revisão de políticas fiscais.

O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, afirmou que o FNDCT sozinho não basta para transformar a distribuição regional da indústria e da inovação no Brasil.
O debate inclui propostas concretas: a SBPC defende colocar CT&I no Fundo Social do Pré‑Sal em 2025 e alerta que mudanças na Lei da Informática e na Reforma Tributária podem reduzir recursos do FNDCT.
A mesa “Industrialização e desenvolvimento regional: o papel da Finep” ocorreu na 78ª Reunião Anual da SBPC, com mediação de Francilene Garcia, presidente da SBPC, e a conferência de Luiz Antônio Elias.
Elias citou duas megatendências que orientam investimentos: inteligência artificial e biotecnologia, e afirmou que países readequam PIB e P&D para IA, defesa e tecnologia quântica, além de modernizar estruturas laboratoriais.
Dados citados por Elias: em 2024, 200 empresas investiram US$ 1,65 trilhão em P&D; apenas cinco dessas empresas são brasileiras; só 5% das exportações brasileiras são produtos de conhecimento.
Elias disse que políticas do FNDCT reduziram a participação relativa do Sudeste e deram espaço ao Norte, Nordeste e Centro‑Oeste, mas que a mudança ainda é insuficiente e que o setor privado segue preferindo Sul e Sudeste.
Francilene Garcia destacou que há interiorização da ciência, mas ainda concentrada nas regiões já desenvolvidas; questionou o avanço entre 2023 e 2026 e a melhoria da distribuição territorial mesmo com R$ 66 bilhões do FNDCT para a Nova Indústria Brasil.
Elias pediu maior envolvimento da comunidade científica na definição de políticas e destacou o potencial de inovação na Amazônia; alertou que “é uma situação que não mudaremos apenas com o FNDCT.”
Francilene reforçou que “nenhum instrumento deve responder a tudo” e disse que a SBPC vai trabalhar para identificar os impactos da Reforma Tributária e da Lei da Informática, que beneficiaram Norte, Nordeste e Centro‑Oeste.
A conferência está disponível na íntegra no canal da SBPC no YouTube.