Polarização paralisa comissões de Relações Exteriores na Câmara e no Senado
Temas como EUA, Ucrânia, Oriente Médio e Venezuela passaram a ser debatidos sob viés ideológico, limitando debates técnicos

Polarização dominou as comissões de Relações Exteriores da Câmara (CREDN) e do Senado (CRE), reduzindo a atuação em crises diplomáticas.
Essa politização fez os colegiados atuar de forma limitada nos atuais cenários de crise diplomática enfrentados pelo Brasil.
A CREDN e a CRE tratam assuntos como relação com os Estados Unidos, guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, Venezuela e a atuação do Brasil em organismos internacionais; desde 2023 o ministro Mauro Vieira foi chamado à CREDN ao menos oito vezes entre convocações e convite.
Foram apresentados 618 requerimentos na CREDN neste período, 111 deles relacionados ao chanceler Mauro Vieira; parlamentares disseram que a oposição tem usado a comissão para polarizar discussões da política externa e da diplomacia.
Em 2019, a CREDN era presidida por Eduardo Bolsonaro; naquele ano Luiz Philippe de Orléans e Bragança atuava como primeiro vice-presidente e Marcelo Van Hattem como segundo vice — hoje Orléans e Bragança preside a CREDN e Van Hattem mantém o posto de segundo vice.
Analistas afirmam que a pauta internacional passou a ser observada sob ótica ideológica desde meados de 2014 e aumentou durante a gestão do ex‑presidente Jair Bolsonaro; o doutor em Política Comparada e analista internacional Paulo Cesar Rebello comentou a mudança no discurso da política externa em 2019.
8 — convocações e convites ao ministro Mauro Vieira desde 2023
618 — requerimentos protocolados na CREDN no período informado
111 — requerimentos relacionados ao ministro Mauro Vieira
"Não temos o poder de fazer nada, porque isso é tudo culpa do Lula, cujo governo mantém relacionamento com grupos terroristas, e do Mauro Vieira, que sabe que é um ministro imprestável", disse, por telefone, o presidente da CREDN, Luiz Philippe de Orléans e Bragança.
As atribuições dos colegiados incluem sabatina de embaixadores, discussões sobre assuntos militares e análise de tratados internacionais, tarefas agora afetadas pela disputa ideológica.