PF investiga aporte de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master
Ministro André Mendonça autorizou buscas, apreensões e bloqueio de bens até R$ 97 milhões contra seis investigados

PF apura aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió em letras emitidas pelo Banco Master em dezembro de 2023.
Mendonça autorizou buscas e apreensões em endereços residenciais e comerciais, nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado, e decretou indisponibilidade de bens até R$ 97 milhões.
O Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 pelo Banco Central por violação de normas e crise de liquidez.
Estão investigados João Felipe Alves Borges (secretário de Fazenda de Maceió; integrava o Conselho de Administração do Iprev na época), Ronnie Reyner Teixeira Mota (ex-diretor-presidente do Iprev) e Gustavo Antônio Rodrigues de Souza (ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev).
Também são alvo Renan Foglia Calamia (dirigente da consultoria Crédito & Mercado), Marília Alexandre de Lima Alves (Secretaria Municipal da Fazenda) e Marcelo Brasileiro Santos (membro do Comitê de Investimentos do Iprev).
A PF aponta que a consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado do credenciamento, da elaboração e validação das análises e da documentação das operações, caracterizando “terceirização indevida da competência administrativa”.
A PF relata que o Iprev aplicou ainda R$ 17 mil em maio de 2024 e busca esclarecer credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos.
Mendonça afirmou que há indícios de “possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”.
O Iprev declarou que os investimentos observaram os ritos legais e administrativos, informou que o patrimônio cresceu de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, e disse estar colaborando com as autoridades.
A PF autorizou apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives, telefones, documentos, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios nos locais relacionados aos investigados e instituições envolvidas.
As investigações continuam para identificar responsáveis e eventual responsabilização civil e criminal pelos investimentos.