Pé‑de‑Meia paga R$200 a alunos do Ensino Médio, mas queda da evasão tem limites
Programa atende beneficiários do CadÚnico; redução geral da evasão ocorre, mas trabalho e problemas da escola mantêm taxas altas

O Pé‑de‑Meia paga R$200 mensais a estudantes do Ensino Médio público inscritos no CadÚnico para incentivar a permanência escolar.
A taxa de abandono no início do Ensino Médio caiu de 3,7% para 2,2% entre 2024 e 2025, mas a evasão por necessidade de trabalho permanece: 42% dos alunos deixam a escola por isso.
O professor Jonathan Martins, da UFRJ, avalia o programa como assistência social eficaz para juventude vulnerável, mas diz que recursos da educação poderiam ter uso mais coletivo.
O diretor do cursinho da Poli, Gilberto Alvarez (Giba), defende o Pé‑de‑Meia como instrumento de permanência e diz que o pagamento permite à família manter o estudante na escola.
Dados do IBGE (PNAD Contínua, 2024) mostram que 53,6% dos meninos e 25,1% das meninas abandonam a escola por necessidade de trabalho.
Outros motivos de evasão registrados foram falta de interesse (25,1% dos estudantes) e gravidez (23,4% das mulheres).
Martins alerta para o risco da bancarização: em programas anteriores o estudante vira correntista e passa a consumir serviços bancários sem preparação financeira.
O programa federal criou o fundo FIPEM, administrado pela Caixa Econômica Federal, para evitar atrasos de pagamento como o ocorrido em Minas Gerais, onde R$122 milhões deixaram de ser pagos a 41 mil estudantes há mais de 10 anos.
Pesquisas analisaram dez programas anteriores, entre eles Renda Melhor Jovem (RJ, 2011), Bolsa do Povo Educação (SP, 2021) e Bolsa Estudante (SC, 2022).
Pesquisadores também apontam problemas na organização do Ensino Médio: fechamento do noturno e escolas em tempo integral com falta de professores e disciplinas como português, história, sociologia e filosofia.
"Enquanto política de assistência social focada na juventude vulnerável, o Pé‑de‑Meia faz parte de políticas exitosas como o Bolsa Família", afirmou Jonathan Martins.
O próximo passo é acompanhar a implementação do FIPEM e monitorar pagamentos e efeitos do programa nas taxas de evasão do 3º ano do Ensino Médio.