Paulo Nogueira: defesa nacional em risco por cobiça sobre recursos estratégicos
Economista alertou sábado sobre ações dos EUA na América Latina, citou Venezuela e listou medidas para dissuasão autônoma.

O Brasil corre risco estratégico devido à cobiça internacional por seus recursos naturais, disse Paulo Nogueira Batista Jr.
Sem capacidade de impor custos a eventuais agressores, o país fica exposto a chantagens que podem subordinar decisões de desenvolvimento, comércio e infraestrutura às diretrizes externas.
Paulo Nogueira Batista Jr., economista, ex-diretor-executivo no FMI e vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, falou no sábado (15) no programa Forças do Brasil, transmitido pela TV 247 e conduzido por Mário Vitor Santos.
Ele afirmou que o endurecimento das posturas dos Estados Unidos na América Latina e o recente cerco à Venezuela, com controle sobre fluxos de petróleo, representam precedentes perigosos de tutela e desestabilização.
O economista listou os recursos que tornam o Brasil alvo: minerais críticos, terras raras, urânio, petróleo, minério de ferro, água, biodiversidade e matriz energética, e afirmou: "Quem não se prepara para a defesa não vive em paz."
Como resposta, propôs foco em tecnologia assimétrica (drones, mísseis e sistemas autônomos), produção nacional de vetores e propulsão, reformulação doutrinária e parcerias tecnológicas diversificadas, inclusive com nações do Sul Global, sem aceitar vetos externos.
Nogueira vinculou a agenda de defesa ao projeto de desenvolvimento e às opções eleitorais, afirmando que alinhar-se automaticamente aos interesses norte-americanos equivaleria a abrir mão da soberania sobre as riquezas naturais.