Otimismo com novos investimentos em infraestrutura cai de 54,2% para 37,8% em seis meses
Barômetro da Infraestrutura mostra piora do humor de investidores, alta da percepção desfavorável e dados sobre setores, riscos e prioridades

A percepção favorável à realização de novos investimentos em infraestrutura caiu de 54,2% para 37,8% em seis meses.
A parcela que considera o ambiente desfavorável subiu de 20,4% para 30,9%, e 2025 registrou R$ 280,4 bilhões em investimentos — cerca de 80% do setor privado.
A 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura, feita em parceria com a EY-Parthenon, reuniu 233 respostas entre 8 e 23 de junho e ouviu investidores, gestores e especialistas do setor.
Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura, atribui o recuo a maior cautela diante de eleições, guerra no Oriente Médio, inflação, juros, petróleo, custos logísticos, protecionismo comercial e reforma tributária; "Esse recuo relevante da percepção favorável interrompe a trajetória de recuperação observada na edição anterior", afirmou Gusmão.
Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib, disse que o Brasil tem déficit de investimentos e precisaria de cerca de R$ 225 bilhões adicionais por ano durante uma década para eliminá-lo.
Setores: saneamento lidera intenções de investimento para os próximos três anos com 50,4%; rodovias caem para 45,7% (antes 47,8%); ferrovias sobem para 40,9% (antes 32,8%) e passam à terceira posição; energia elétrica recua para 35,7% (antes 38,5%).
Reforma tributária: 62% das empresas já estudam os efeitos nos contratos; 13,4% pretendem começar em 2026; 7% só em 2027 ou depois.
Riscos externos e exposição: 64,2% veem algum grau de exposição à guerra no Oriente Médio sobre petróleo e logística — 43,9% classificam o impacto como médio e 20,3% como alto; 58,9% consideram que o protecionismo afetará seus negócios.
Concessões e PPPs: percepção favorável da União subiu de 53,2% para 54,6%; 74% dizem que municípios têm pouco ou nenhum aproveitamento do potencial para PPPs e concessões.
Prioridades para o próximo mandato: 44,4% apontam agenda fiscal e tributária; em infraestrutura, 26,2% priorizam ampliação de programas federais de concessões e PPPs e 24,6% citam aumento da segurança jurídica dos contratos.