Operadores logísticos entregam agenda de propostas às campanhas presidenciais
Documento propõe quatro frentes para 2027–2030: multimodalidade, regulação, mão de obra e descarbonização

A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) entregou às coordenações das campanhas à Presidência uma Carta Aberta com propostas para 2027 a 2030.
A carta reúne quatro frentes prioritárias: tornar a intermodalidade/multimodalidade política pública permanente; simplificar regulação e tributos; criar política nacional de mão de obra; e acelerar descarbonização e adaptação climática.
A ABOL pede a criação de uma Governança Nacional da Multimodalidade, modernização das conexões entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, integração de sistemas legais e documentais e aumento da capacidade de silos e armazenagem.
A entidade afirma que os operadores logísticos movimentam mais de R$ 247 bilhões em faturamento anual, empregam 2,7 milhões de pessoas entre empregos diretos e indiretos, geram mais de R$ 57 bilhões em tributos e representam mais de 20% dos gastos brasileiros com transporte e armazenagem.
A ABOL diz que apenas 31% dos operadores oferecem serviços intermodais ou multimodais e que o Brasil hoje destina cerca de 0,7% do PIB à infraestrutura de transportes; a associação calcula ser necessário aproximadamente 2% do PIB.
No campo regulatório, a carta defende simplificação de obrigações, integração de sistemas entre órgãos públicos e avaliação prévia dos impactos econômicos de novas exigências; a reforma tributária deve preservar a competitividade dos modais.
A proposta tecnológica inclui incentivos inspirados na Lei do Bem voltados à modernização, estímulo à automação, robotização, inteligência artificial e digitalização do setor.
Para a falta de mão de obra, a ABOL propõe uma Política Nacional para o Futuro do Trabalho na Logística, reunindo governo, empresas, universidades, trabalhadores e instituições de ensino em programas de formação e requalificação.
Na agenda ambiental, a entidade defende transição energética diferenciada por operação e região, estímulos a combustíveis sustentáveis, corredores logísticos verdes, linhas de financiamento para equipamentos de baixo carbono e estratégia nacional de adaptação a eventos climáticos extremos.
"Ao reunir esses pleitos, a ABOL busca colocar a logística brasileira no centro do planejamento de longo prazo do país", afirmou Marcella Cunha, diretora executiva da entidade.
Marcella Cunha declarou que o próximo ciclo de governo deve ser "uma oportunidade para ampliar investimentos, reduzir o Custo Brasil, incorporar inovação e aumentar a sustentabilidade e a atratividade do país".