Myriam Bregman: “A esquerda que se integrou ao peronismo foi dissolvida”
Deputada do PTS e da Frente de Esquerda esteve no Brasil para lançar livro e falou sobre Milei, aborto e direitos humanos

A deputada Myriam Bregman afirmou que “a esquerda que se integrou ao peronismo foi dissolvida”.
Em abril de 2026 a consultoria Atlas‑Intel registrou 47% de aprovação e 46% de reprovação à atuação de Bregman — a maior avaliação positiva entre políticos argentinos naquele mês.
Bregman é deputada pelo PTS, integra a coalizão Frente de Esquerda, faz oposição ao presidente Javier Milei e perdeu a eleição presidencial de 2023 para o atual chefe do Executivo argentino; ela veio ao Brasil neste mês para divulgar o livro "Moderada nunca" (Editora Iskra).
Advogada e professora da Universidade de Buenos Aires, Bregman construiu carreira em direitos humanos; ela diz que Milei e a vice Victoria Villarruel, ligada ao meio militar, usaram ataque aos direitos humanos na campanha, mas que, após dois anos e meio de governo, a mobilização do 24 de março teve a maior participação das últimas duas décadas e Milei reduziu ataques aos órgãos de direitos humanos.
Sobre a campanha pela legalização do aborto, Bregman resume a fórmula em três palavras: "persistência, organização e luta"; ela lembra a exigência da esquerda desde a década de 1970, o avanço nos anos 2000 com a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Seguro, a expectativa criada pela eleição do papa Francisco em 2013 e a conquista do direito nas ruas em menos de dois anos após perdas iniciais no Congresso.
Bregman destacou também o fator de classe: mulheres com poder econômico acessam abortos seguros, enquanto mulheres trabalhadoras recorrem a métodos inseguros que deixam sequelas.
47% — aprovação a Bregman em abril de 2026
46% — reprovação no mesmo levantamento
2,5 anos — duração do governo Milei até agora
24 de março — maior mobilização por memória e direitos em ~20 anos
30 mil — número de desaparecidos citado por Bregman em debates
Bregman concluiu que a fórmula vitoriosa para avanços sociais é "persistência, organização e luta" e pediu que, em países como o Brasil, eleitores perguntem agora aos candidatos legisladores sobre propostas para o aborto.