Metrô diz que cinco estações na Faria Lima custariam R$1,2 bi a mais e atrasariam obra dois anos
Traçado da Linha 20-Rosa foi definido pelo Metrô em função de custos, demanda e capacidade da rede; escolha provocou protestos de moradores

A Companhia do Metropolitano de São Paulo afirma que construir cinco estações da Linha 20‑Rosa na Avenida Brigadeiro Faria Lima aumentaria o custo em R$ 1,2 bilhão e atrasaria o cronograma em dois anos.
A opção com cinco estações foi orçada em R$ 26,1 bilhões e projetou demanda de 1,291 milhão de passageiros por dia útil; o traçado com duas estações na Faria Lima saiu por R$ 24,9 bilhões e previsão de 1,266 milhão de passageiros por dia, gerando uma economia de 3% no custo por usuário (R$ 20.220 contra R$ 19.660).
A Linha 20‑Rosa terá 24 estações, ligará o ABC paulista à zona oeste de São Paulo (Santo André e São Bernardo do Campo até Santa Marina) e o Metrô prevê contratar a obra em 2027, começar a construção em 2028 e concluir até 2033; o projeto ainda está em desenvolvimento.
O Metrô chegou a planejar cinco paradas na Faria Lima, descartou três e optou por um trajeto pelo miolo dos Jardins e de Pinheiros, com baldeações na Estação Fradique Coutinho e na Cardeal Arcoverde; a escolha provocou protestos de associações dos bairros de Pinheiros e dos Jardins.
A AME Jardins afirma que a Estação Fradique Coutinho “não possui as condições mínimas” para receber a 20‑Rosa — sem mezanino, áreas de distribuição interna nem plataformas adequadas — e pede grandes obras de adaptação; a entidade contratou o ex‑presidente do Metrô Sergio Avelleda e acionou o Ministério Público, que pediu esclarecimentos (não há inquérito aberto).
Luiz Antônio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento do Metrô, ressalta que “uma linha está sempre inserida numa rede” e que a Linha 4‑Amarela já opera no limite em Butantã e Pinheiros, de modo que integrar a 22 antes de Pinheiros exigiria ampliação de frota e o pátio atual não tem espaço para isso.
O Metrô justificou a escolha técnica apontando menor concentração de empregos na Faria Lima próxima ao Iguatemi (135 empregos por hectare) em comparação ao trecho entre Cidade Jardim e Hélio Pellegrino (365 empregos por hectare), além de menor risco construtivo no traçado escolhido; a área próxima ao Largo da Batata fica a 10 minutos de caminhada de Cardeal ou Fradique.
Em nota, a estatal disse que considerou demanda de passageiros, integração com a rede, viabilidade construtiva, riscos geológicos e de engenharia, impactos urbanos e ambientais, operação do sistema, desapropriações e custos de implantação e operação ao definir o traçado.