Mato Grosso do Sul: mudança de siglas manteve a mesma hegemonia
Lideranças saíram do PSDB e reconstruíram poder em aliança comandada por PL e pela federação União Progressista.

Grupo político forjado no PSDB reorganizou-se em 2026 sob comando do PL e da federação União Progressista (União Brasil + PP).
A nova aliança controla o maior fundo eleitoral e partidário do estado e tem potencial para eleger as maiores bancadas em Brasília e na Assembleia Legislativa.
O ex-governador Reinaldo Azambuja deixou o PSDB após 30 anos e filiou-se ao PL, levando 18 prefeitos; o PL subiu de 5 para 23 prefeituras. O governador Eduardo Riedel trocou o PSDB pelo PP e levou quatro prefeitos, elevando o PP para 20 prefeituras. Três deputados federais eleitos em 2022 saíram do PSDB: Beto Pereira (Republicanos), Geraldo Resende (União Brasil) e Dagoberto Nogueira (Progressistas). A bancada estadual do PSDB encolheu de seis para duas cadeiras: três deputados foram para o PL e um para o PP.
O PSDB manteve parte do grupo, mas o projeto hegemônico migrou para uma aliança que reúne os remanescentes tucanos, o PL e a federação União Progressista, espelhando a transição para uma hegemonia pluripartidária.
As esquerdas seguem sem candidaturas competitivas para o governo: o PT filiou o ex-deputado federal Fábio Trad para concorrer ao governo; o PV de Marquinhos Trad integra a federação com o PT, beneficiando-se do quociente eleitoral petista. O senador Nelsinho Trad (PSD) e o ex-prefeito Marquinhos Trad (PV) permanecem influentes em famílias políticas tradicionais.
O petista Vander Loubet, deputado federal por seis mandatos, saiu da corrida à reeleição para disputar o Senado em 2026, o que pode reduzir a bancada federal do PT, hoje com dois representantes.
A disputa ao Senado está congestionada: Reinaldo Azambuja tende a conquistar uma vaga; Soraya Thronicke busca reeleição; Vander Loubet e o bolsonarista Capitão Contar também são candidatos.
Se o bloco liderado por Azambuja (PL), Riedel e Tereza Cristina (PP), com União Brasil, Republicanos e parte do PSDB vencer em 2026, consolidará a transição de hegemonia; se perder, corre risco de esfacelamento semelhante ao do MDB em 2012 e 2014.
O PT está fora do governo estadual desde 2007 e sem protagonismo eleitoral desde 2018, e precisa renovar-se para recompor espaço político em Mato Grosso do Sul.
55% — proporção das prefeituras conquistadas pelo PSDB em 2024
18 — prefeitos que Azambuja levou ao PL
5 → 23 — salto de prefeituras do PL após migração de Azambuja
4 — prefeitos que Riedel levou ao PP, elevando o partido para 20 cidades
3 — deputados federais eleitos em 2022 que deixaram o PSDB
A eleição de 2026 definirá se o poder hegemônico do estado permanece nas mãos da nova aliança ou se abrirá espaço para novas lideranças.