Lentidão na regulação das bets pode acelerar medidas restritivas
Especialistas dizem que o Brasil demorou a regular o setor de apostas e que a resposta proibitiva pode avançar mais rápido.

A regulação lenta das apostas esportivas no Brasil pode provocar avanço mais rápido de medidas proibitivas contra o setor.
Se o setor não mostrar que o jogo responsável funciona na prática, a exclusão ou restrições ocorrerão em prazo mais curto, alerta Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
Ricardo Magri, diretor-executivo da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), afirmou no seminário A Era do Diálogo Best Bets que o jogo tem mais força que vontades institucionais e governos e que o debate deveria focalizar o produto de apostas, não só o marketing.
Barbara Esposito, head de Operações da BetMGM, disse que bônus e odds já não são o principal atrativo; a empresa promove jogo responsável, ferramentas de autoexclusão e autolimitação e lançou campanha de acolhimento para familiares e terceiros.
Vitor Hugo Ferreira, diretor jurídico do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), lembrou que o CONAR criou determinações liminares durante a Copa do Mundo para coibir publicidade abusiva e que todos os sites de apostas legalizados no país são filiados ao órgão.
Jun Makuta, membro do comitê de Gaming, Betting and Responsible Gaming da OAB/SP, disse que o setor tem apenas dois anos e que novas regras estão vindo; ele pediu maturidade do mercado e que o regulador detalhe a funcionalidade para não “matar a indústria”.
"Se tivermos efetivamente a capacidade de mostrarmos... que o jogo responsável não é algo que está apenas em duas palavras, esse processo de exclusão irá acontecer mais rápido", afirmou Carlos Lima.
2 anos — idade recente do setor de apostas mencionada por Jun Makuta
O próximo passo apontado pelos debatedores é a implementação e o detalhamento das novas regras regulatórias, com foco em funcionalidade, proteção nas redes sociais e critérios de publicidade.