Juiz diz ter sido 'humilhado' após salário líquido cair para R$ 41,6 mil
Mário Márcio afirma perda de pelo menos 20% da renda, admite considerar deixar a magistratura se cortes continuarem

O juiz Mário Márcio de Almeida Sousa, da 8ª Vara Cível de São Luís, afirmou sentir “humilhação” após seu salário líquido cair para R$ 41,6 mil em julho.
Ele diz que a redução equivaleu a pelo menos 20% da renda líquida mensal e que avaliaria aderir a um plano de demissão voluntária se os cortes seguirem.
O magistrado tem 52 anos, atua há 24 anos na carreira, é pai de três filhos e afirmou ter assumido compromissos financeiros com valores anteriores.
Mário Márcio relatou impacto emocional: disse que chorou em conversa com sua equipe sobre a situação financeira.
Nos contracheques, o juiz recebeu R$ 88,5 mil líquidos em fevereiro e R$ 74,8 mil em janeiro, antes das novas regras do Supremo Tribunal Federal.
O Supremo suspendeu pagamentos acima do teto constitucional em fevereiro e, em março, limitou verbas indenizatórias autorizadas a 35% do teto.
O teto constitucional atual é R$ 46.366,19, valor do subsídio mensal de um ministro do STF, e 35% desse teto representa cerca de R$ 16,2 mil em adicionais.
As novas regras atingem diárias, auxílio-mudança, indenização por férias não gozadas, gratificação por acúmulo de funções e pagamentos por tempo de carreira.
Ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin determinaram que tribunais de sete unidades da Federação identifiquem beneficiários em 72 horas e comprovem suspensão e devolução em cinco dias.
O juiz afirmou não constar entre os que terão de restituir valores e encerrou sua carta com a frase curta: “Quisera eu”.