IPCA de julho cai para 0,07%; Ciesp pede política monetária menos restritiva
Rafael Cervone conecta desaceleração da inflação a espaço para reduzir juros, mas diz ser preciso ajustar as contas públicas

A inflação medida pelo IPCA subiu 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% de junho.
No acumulado de 2026 o IPCA soma 3,44% e a variação em 12 meses recuou para 4,44%, ante 4,64% em junho, o que, na avaliação do Ciesp, abre margem para afrouxar a política monetária.
Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice da Fiesp, afirmou que a desaceleração reforça a necessidade de uma política monetária menos restritiva e mais compatível com crescimento e competitividade.
Cervone argumentou que juros reais muito elevados prejudicam investimento empresarial, dificultam acesso ao crédito, reduzem consumo, freiam a atividade produtiva e afetam a indústria, responsável por inovar, agregar valor e gerar empregos qualificados.
Ele acrescentou que a redução de juros deve andar junto com o fortalecimento da política fiscal e o enfrentamento do déficit das contas públicas para preservar capacidade de investimento em infraestrutura, educação e inovação.
"Com a inflação em trajetória de desaceleração, o Brasil precisa de uma política monetária menos restritiva, mais criativa e alinhada à realidade de um país que necessita crescer de maneira mais robusta", disse Rafael Cervone.
Cervone concluiu que o país reúne condições para combinar responsabilidade fiscal com uma política monetária mais aderente à realidade econômica, estimulando investimentos, produtividade e inovação.