Inflação desacelera em julho, mas BC evita compromisso sobre cortes na Selic
IPCA caiu para 0,07% em julho e 12 meses recuaram a 4,44%, mas ata do Copom mantém discurso cauteloso.

IPCA subiu 0,07% em julho, ante 0,16% em junho, indicando perda de ritmo na inflação de curto prazo.
O índice acumulado em 12 meses ficou em 4,44%, voltando ao intervalo de tolerância da meta e abrindo espaço técnico para cortes.
O IPCA foi influenciado pela queda nos preços de alimentos, enquanto itens de habitação, especialmente energia elétrica, pressionaram o índice.
A meta de inflação para 2026 é 3% com intervalo de ±1,5 ponto percentual, fixando piso de 1,5% e teto de 4,5% pelo CMN.
A ata do Copom, divulgada nesta terça, destacou riscos como desancoragem das expectativas e incertezas fiscais, e manteve flexibilidade na política monetária.
O colegiado sinalizou que novos cortes na Selic não estão descartados, mas evitou qualquer compromisso antecipado sobre a trajetória dos juros.
O conselheiro da Ancord, Pablo Spyer, avaliou que o Copom quer “política monetária restritiva maior e por mais tempo” diante de expectativas desancoradas.
O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, afirmou que a ata reforça cautela, retirou referência a “pausas e retomadas” e deixou em aberto a magnitude dos ajustes.
O mercado está dividido entre expectativa de ao menos mais um corte na Selic e a possibilidade de ritmo mais lento ou interrupção se riscos aumentarem.
0,07% — alta do IPCA em julho
0,16% — alta do IPCA em junho
4,44% — IPCA em 12 meses
3% — meta de inflação para 2026
1,5 ponto percentual — tolerância para mais ou para menos
14% — projeção do C6 Bank para Selic estável até o fim do ano (menção analítica na ata)
As próximas reuniões do Copom serão em 15 e 16 de setembro; 3 e 4 de novembro; e 8 e 9 de dezembro.