Gustavo Franco: juros altos respondem ao déficit, não à teimosia do BC
No T&E Summit, o ex-presidente do Banco Central afirmou que a incoerência fiscal trava a queda da Selic e encarece a dívida pública

Gustavo Franco disse no T&E Summit, evento da Paytrack, que juros elevados refletem o desequilíbrio fiscal, não rigor excessivo do Banco Central.
Ele afirmou que exigir inflação em 3% ao ano enquanto o governo opera com déficit primário de cerca de 0,5% do PIB cria uma contradição que impede a redução da Selic.
Franco, ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo, afirmou que a deterioração das contas públicas aumenta o prêmio de risco exigido pelos investidores e eleva o custo de captação do Tesouro Nacional.
O economista comparou a erosão do crédito público a uma degradação urbana gradual e disse que só um ajuste fiscal via corte de despesas permitirá juros “civilizados”, mais próximos de 5% ao ano do que do patamar atual de dois dígitos.
Ele lembrou que a trajetória de convergência para juros de um dígito foi interrompida por escolhas de política econômica na gestão de Dilma Rousseff (2011–2016), que elevou o patamar estrutural da Selic.
Para investidores, Franco recomendou manter exposição a ativos pós-fixados como Tesouro Selic, CDBs e LCIs/LCAs de bancos sólidos; evitar concentração em prefixados longos; e alocar parcela em Tesouro IPCA+ com vencimentos intermediários, priorizando emissores de crédito privado com rating elevado.