Grandes bancos brasileiros endurecem crédito e priorizam garantias
Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil reduzem exposição a clientes de baixa renda e a crédito sem garantia.

Os maiores bancos do Brasil passaram a priorizar crédito com garantia e clientes de renda mais alta.
A mudança reduz oferta a tomadores de maior risco e a modalidades sem garantia, afetando quem ganha menos que R$4 mil mensais.
Itaú, Bradesco, Santander Brasil e Banco do Brasil transmitiram a postura cautelosa após divulgar resultados do segundo trimestre, encerrando a temporada de balanços com mensagem semelhante na quarta-feira, 14 de agosto.
Santander cortou exposição a clientes com renda mensal inferior a R$4 mil; o diretor financeiro Carlos Muñiz afirmou que abaixo desse valor o banco "não pode competir" e que acima buscará operações com garantia.
O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, disse que "o volume de crédito que foi distribuído no mercado é muito acima do que o mercado teria capacidade de absorver", e que o banco passou a priorizar operações com garantia.
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, declarou que o banco está "muito mais seletivo" e que o apetite por clientes de menor renda é hoje muito menor, com carteira mais respaldada por garantias.
A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, incluiu entre prioridades aumentar em 25% o número de clientes de "alto valor" até 2030.
O Nubank registrou empréstimos com atraso acima de 90 dias em 6,9% no segundo trimestre, ante 6,5% no trimestre anterior e no mesmo período do ano passado, embora tenha reportado lucro acima do esperado.
A analista Katherine Hennings, da BRCG, relacionou a postura defensiva à deterioração rápida das finanças das famílias, com comprometimento de renda em torno de 50% da renda disponível.
6,9% — atrasos acima de 90 dias no portfólio do Nubank no 2º trimestre
R$4.000 — corte de competição do Santander para renda mensal
25% — meta do Banco do Brasil para clientes de alto valor até 2030
A mediana da pesquisa Focus projeta crescimento do PIB de 1,5% no próximo ano, ante cerca de 2% neste ano, e o Banco do Brasil projeta expansão de 1% em 2027.
O recuo atinge ampla parcela da força de trabalho: cerca de 70% dos ocupados recebem até dois salários mínimos.
Os bancos adotam a estratégia enquanto políticas de estímulo ao consumo e medidas do governo para apoiar famílias continuam em curso, no contexto da preparação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a reeleição em outubro.