Fitch eleva nota do Rio a AAA(bra) após recuperação fiscal
Agência também melhorou o Perfil de Crédito Individual e mantém nota internacional limitada pelo rating soberano do Brasil.

O município do Rio de Janeiro subiu de AA+(bra) para AAA(bra) no Rating Nacional de Longo Prazo da Fitch, refletindo recuperação fiscal consistente.
A agência também elevou o Perfil de Crédito Individual (PCI) do Rio de “BB” para “BB+” e manteve a nota internacional em BB com perspectiva estável, limitada pelo rating soberano do Brasil.
A decisão destaca melhora das contas públicas, robusta liquidez e expectativa de redução gradual da dívida com amortizações superiores a novas contratações.
O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que, ao assumir em 2021, encontrou situação fiscal difícil e que a nota AAA reconhece “responsabilidade, planejamento, controle e acompanhamento permanente”.
A secretária municipal de Fazenda, Andrea Senko, disse que a Fitch avaliou cinco anos de solidez na gestão fiscal e que o município reverteu a avaliação influenciada pela falta de liquidez em 2021.
A trajetória de recuperação começou em 2021, após déficit fiscal de aproximadamente R$ 6 bilhões, R$ 4,9 bilhões em restos a pagar e caixa praticamente esgotado; medidas incluíram Novo Regime Fiscal, Reforma da Previdência, simplificação tributária e aumento real da arrecadação.
O Rio passou da CAPAG C para CAPAG B ainda em 2021, e a disponibilidade de caixa voltou ao campo positivo já no primeiro ano da gestão.
Resultados e indicadores: entre 2020 e 2026 o orçamento foi de R$ 30,5 bilhões para R$ 53 bilhões; arrecadação de ISS subiu de R$ 5,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões; investimentos chegaram a 10,5% do orçamento, ante média de 2,6% entre 2017 e 2020.
Entre 2021 e 2025 a margem operacional média foi 11,6%, alcançando 11,8% em 2025; o crescimento real das receitas operacionais superou o das despesas; o município está em dia com folha e fornecedores.
Em dezembro de 2025 a dívida líquida consolidada correspondera a 35,8% da receita corrente líquida, bem abaixo do limite de 120% da Lei de Responsabilidade Fiscal.
A Fitch também destacou relativa autonomia fiscal do Rio, baixa dependência de transferências da União e exposição limitada a receitas voláteis; em 2025 as receitas tributárias representaram 42,3% das receitas operacionais.
Próximo passo: manter o ritmo de amortizações superiores à contratação de novos empréstimos para reduzir a dívida nos próximos anos, conforme projeção da agência.