Desertificação leva Caatinga e segurança hídrica do Brasil à COP17, 17–28 de agosto
39 milhões de brasileiros vivem em áreas ameaçadas; 18% do território está em Áreas Suscetíveis à Desertificação.

Desertificação coloca segurança hídrica e alimentar do Brasil no centro da COP17, de 17 a 28 de agosto, na Mongólia.
Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em áreas ameaçadas pela desertificação; 18% do território nacional está em Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD).
Entre 2000 e 2020, a área afetada saltou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados — acréscimo de 170 mil km², equivalente à soma de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
A Caatinga concentra os níveis mais graves de degradação entre os biomas: 11% da sua área (≈100 mil km²) está em situação crítica ou severa e 42,6% da vegetação nativa foi suprimida.
Monitorada pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) com universidades, a Caatinga teve eficiência de 58% no aproveitamento de carbono; cerca de 72% do carbono está no solo — ≈125 toneladas por hectare — e em 2022 respondeu por metade do sequestro líquido de carbono do Brasil, segundo estudo publicado em 2025.
O Brasil lançou em março de 2026 o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação (PAB-Brasil 2025–2043) e, em junho, lançou o Programa Recaatingar, com meta de recuperar produtivamente 10 milhões de hectares da Caatinga nos próximos 20 anos.
Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação (DCDE) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, diz que o Recaatingar combina recuperação do solo, produção agropecuária e trabalho com comunidades tradicionais.
A finalidade da participação brasileira na COP17 inclui negociar que o texto científico da conferência mencione explicitamente a Caatinga, alerta Aldrin Martin Pérez-Marín, coordenador do Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA).
Ivi Aliana, coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), alerta que a desertificação afeta produção de alimentos, segurança hídrica, economia e aumento do calor, com impactos no campo e nas cidades.
Na conferência, delegados e representantes da sociedade civil brasileira vão negociar o texto científico e as ações internacionais de combate à desertificação entre 17 e 28 de agosto.