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Desertificação ameaça 39 milhões de brasileiros e 18% do território

A área afetada cresceu 170 mil km² entre 2000 e 2020; Brasil leva o tema à COP17 na Mongólia em agosto.

Redação POLITICA.SP15 de ago. de 2026 · 23h044 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Desertificação ameaça 39 milhões de brasileiros e 18% do território
Reprodução: cartacampinas.com.br

Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em locais ameaçados pela desertificação, incluindo povos indígenas, quilombolas, sertanejos, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros.

De 2000 a 2020, a área afetada pela desertificação passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de km², um aumento de 170 mil km² — equivalente à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) cobrem cerca de 18% do território brasileiro, segundo o boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Obstáculos e soluções estarão na pauta da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), marcada para 17 a 28 de agosto, na Mongólia.

A primeira região árida do Brasil foi identificada em 2023: 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia, análise do Cemaden e do Inpe.

A Caatinga concentra os níveis mais graves de deterioração: 11% do bioma está em situação crítica e severa, cerca de 100 mil km², e 42,6% da vegetação nativa já foi suprimida.

O Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA) registrou que o bioma aproveita carbono com eficiência de 58% e que 72% do carbono da Caatinga está armazenado no solo — cerca de 125 toneladas por hectare.

Em 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% do sequestro líquido de carbono do Brasil, segundo estudo publicado na revista Science of the Total Environment.

A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) reúne mais de 3 mil organizações da sociedade civil e atua há mais de 25 anos em tecnologias de convivência com o semiárido.

A coordenadora executiva da ASA, Ivi Aliana, diz que populações vulneráveis e comunidades tradicionais são as primeiras a sentir os efeitos na água e na biodiversidade.

O pesquisador Aldrin Martin Pérez-Marín afirma: "A Caatinga não é o problema. Ela é parte da solução, para o Brasil e para o planeta."

O Brasil lançou em março de 2026 o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043), que articula meio ambiente, saúde, educação, assistência social, infraestrutura, acesso à água, inclusão produtiva e inovação tecnológica.

Em junho, foi lançado o Programa Recaatingar; o Departamento de Combate à Desertificação (DCDE) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima fixou meta de recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas da Caatinga nos próximos 20 anos.

Antes do programa, tecnologias sociais já produziram 36 mil hectares em conservação, 2 mil hectares em recuperação ativa, 15 sistemas de agrocaatinga, 31 planos de manejo implementados e mais de 280 enxames de abelhas nativas retornando à paisagem.

O DCDE explica que o recaatingamento une manejo do solo, agronomia e trabalho com comunidades tradicionais para restaurar segurança hídrica, produtividade e adaptação climática.