Dengue cai 75% nos primeiros meses, mas El Niño pode elevar casos
Foram 227,5 mil casos entre janeiro e 11 de abril; El Niño deve intensificar-se até o fim do ano e pode mudar o quadro.

O Brasil registrou queda de 75% nos casos prováveis de dengue entre janeiro e 11 de abril de 2026, com 227,5 mil casos contra 916,4 mil no mesmo período de 2025.
A redução cria uma janela para reforçar o sistema de saúde antes de um possível aumento causado pelo El Niño, que deve se intensificar até o fim do ano e tem chance elevada de continuar no início de 2027.
O fenômeno climático já está em curso e eleva temperaturas e altera o regime de chuvas, condições que aceleram o ciclo do Aedes aegypti e aumentam a formação de criadouros.
O biólogo Filipe Abreu, professor do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) apoiado pelo Instituto Serrapilheira, diz que "temperaturas mais elevadas podem acelerar o desenvolvimento do Aedes aegypti e reduzir o tempo necessário para o vírus se desenvolver dentro dele".
Abreu afirma também que mudanças nas chuvas podem aumentar a disponibilidade de criadouros em algumas regiões, elevando o risco de transmissão, e que o aquecimento global pode ampliar a área de circulação do mosquito.
Manaus começou a implantar um sistema de monitoramento com 960 ovitrampas distribuídas na cidade; as coletas são feitas a cada poucos dias e alimentam mapas que orientam ações de campo priorizando bairros mais vulneráveis.
A dengue costuma ser uma doença febril de início rápido e duração média de sete dias, com sintomas como febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, cansaço, náuseas e manchas na pele, e sinais de agravamento que exigem atendimento imediato incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes e alterações de consciência.
A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti, que muitas vezes passa despercebida; apesar de avanços na vacinação, a proteção ainda depende principalmente do controle do mosquito e da eliminação de criadouros.
227,5 mil — casos prováveis de dengue entre janeiro e 11 de abril de 2026
916,4 mil — casos no mesmo período de 2025
960 — ovitrampas que serão instaladas em Manaus para monitoramento
"Dependendo da região, essas alterações podem aumentar a disponibilidade de criadouros e o risco de transmissão", afirmou Abreu.
A partir de agora, prefeituras e serviços de saúde devem usar os dados de monitoramento para direcionar visitas e medidas de controle antes de um aumento de casos.