Brasil recebeu 34.346 refugiados no 1º semestre de 2026
Maioria veio de Cuba, Venezuela e Haiti; entradas desde 2016 já somam 548.204 pessoas

Brasil recebeu 34.346 refugiados no 1º semestre de 2026, majoritariamente cubanos, venezuelanos e haitianos.
Essas chegadas elevam para 548.204 o total de pessoas que entraram no país buscando asilo desde 2016, e para 587.681 o total de solicitações de refúgio no século 21.
Roraima concentrou a maior parte das entradas: 331.000 refugiados nos últimos 10 anos, que equivalem a 60% das entradas registradas nacionalmente; muitos venezuelanos atravessam a fronteira terrestre por ali, mas transitam rumo a outras regiões.
O pico de pedidos ocorreu em 2019, com mais de 82.500 pessoas; a pandemia reduziu o fluxo em 2020 e 2021, embora mais de 20.000 refugiados tenham entrado por ano nesse período; desde 2022 as entradas vêm crescendo anualmente.
Neste ano, foram formalmente emitidas 3.540 decisões sobre pedidos de refúgio: 2.425 foram deferidas; 75 indeferidas; 21 resultaram em perda da condição de refugiado; 1.019 enquadraram-se em outras situações, como arquivamentos e extensões de prazo.
Cuba liderou as entradas em 2025 e no 1º semestre de 2026, com 20.400 registros neste ano; o aumento foi associado a apagões de energia na ilha após medidas econômicas dos EUA iniciadas em janeiro de 2025 e à captura do presidente da Venezuela em 3 de janeiro de 2025.
“O embargo impulsionou o aumento da mortalidade infantil em Cuba”, disse o embaixador cubano Victor Cairo em julho, ao comentar os efeitos da crise energética e dos cortes de remessas de petróleo.
A busca por refúgio vinda da Venezuela caiu para cerca de 21.200 em 2025, após uma abertura comercial gradual conduzida pela presidente interina Delcy Rodríguez; a situação política do país segue instável e sem perspectiva clara de eleições livres.
Os haitianos foram o 3º maior grupo no 1º semestre de 2026: 1.405 pedidos de refúgio, contra 262 em todo 2025; o país marcou nova eleição para 13 de dezembro de 2026, com 2º turno em 21 de fevereiro de 2027.