Beatriz Grinsztejn: ciência avança, mas cortes e moralismo enfraquecem combate ao HIV
A pesquisadora da Fiocruz e diretora da IAS afirmou que o SUS sustenta resposta brasileira enquanto ajuda internacional encolhe.

A infectologista Beatriz Grinsztejn disse que a ciência alcança antirretrovirais injetáveis de longa duração e comprova que tratamento zera a transmissão do HIV.
Grinsztejn afirmou que a mudança em diretrizes do PEPFAR, cortes de França e Alemanha e redirecionamento a orçamentos militares desestruturaram programas na África, Ásia e Caribe.
Ela declarou que sistemas de informação e vigilância foram paralisados e que serviços para homens que fazem sexo com homens e pessoas trans foram desmantelados em países com criminalização dessas populações.
Beatriz Grinsztejn, pesquisadora da Fiocruz e diretora da International AIDS Society, falou ao programa Conversas com Hildegard Angel, na TV 247; ela presidiu a conferência internacional do setor no Rio de Janeiro.
O Brasil financia a política contra o HIV inteiramente pelo SUS, apoiado pela Constituição de 1988 e pela legislação de acesso a antirretrovirais dos anos 1990, disse a pesquisadora.
A Fiocruz liderou estudos-chave: HPTN 052 demonstrou que terapia antirretroviral impede transmissão em casais sorodivergentes; pesquisas sobre gestantes reduziram transmissão vertical a quase zero; e a instituição participou dos ensaios de Cabotegravir e Lenacapavir.
Grinsztejn destacou que o Lenacapavir é revolucionário, mas seu alto custo exige negociação estatal para compras públicas sustentáveis e democratizar o acesso.
Apesar de testagem, preservativos e PrEP no SUS, o Brasil registra cerca de 30% dos diagnósticos de HIV em estágio tardio.
Ela afirmou: "A ação precisa incidir sobre os determinantes sociais. A garantia da comida na mesa e o mínimo de subsistência retiram mulheres da vulnerabilidade extrema".
Grinsztejn citou dados que vinculam o Programa Bolsa Família a redução de óbitos por complicações do HIV, queda de internações e diminuição de novas infecções, com impacto maior entre mulheres em extrema pobreza.
A médica pediu fortalecimento do financiamento do SUS, educação sexual e científica nas escolas e combate à misoginia para conter retrocessos moralistas.
A entrevista completa com Beatriz Grinsztejn está disponível no canal da TV 247.