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Beatriz Grinsztejn: ciência avança, mas cortes e moralismo enfraquecem combate ao HIV

A pesquisadora da Fiocruz e diretora da IAS afirmou que o SUS sustenta resposta brasileira enquanto ajuda internacional encolhe.

Redação POLITICA.SP16 de ago. de 2026 · 05h312 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Beatriz Grinsztejn: ciência avança, mas cortes e moralismo enfraquecem combate ao HIV
Reprodução: www.brasil247.com

A infectologista Beatriz Grinsztejn disse que a ciência alcança antirretrovirais injetáveis de longa duração e comprova que tratamento zera a transmissão do HIV.

Grinsztejn afirmou que a mudança em diretrizes do PEPFAR, cortes de França e Alemanha e redirecionamento a orçamentos militares desestruturaram programas na África, Ásia e Caribe.

Ela declarou que sistemas de informação e vigilância foram paralisados e que serviços para homens que fazem sexo com homens e pessoas trans foram desmantelados em países com criminalização dessas populações.

Beatriz Grinsztejn, pesquisadora da Fiocruz e diretora da International AIDS Society, falou ao programa Conversas com Hildegard Angel, na TV 247; ela presidiu a conferência internacional do setor no Rio de Janeiro.

O Brasil financia a política contra o HIV inteiramente pelo SUS, apoiado pela Constituição de 1988 e pela legislação de acesso a antirretrovirais dos anos 1990, disse a pesquisadora.

A Fiocruz liderou estudos-chave: HPTN 052 demonstrou que terapia antirretroviral impede transmissão em casais sorodivergentes; pesquisas sobre gestantes reduziram transmissão vertical a quase zero; e a instituição participou dos ensaios de Cabotegravir e Lenacapavir.

Grinsztejn destacou que o Lenacapavir é revolucionário, mas seu alto custo exige negociação estatal para compras públicas sustentáveis e democratizar o acesso.

Apesar de testagem, preservativos e PrEP no SUS, o Brasil registra cerca de 30% dos diagnósticos de HIV em estágio tardio.

Ela afirmou: "A ação precisa incidir sobre os determinantes sociais. A garantia da comida na mesa e o mínimo de subsistência retiram mulheres da vulnerabilidade extrema".

Grinsztejn citou dados que vinculam o Programa Bolsa Família a redução de óbitos por complicações do HIV, queda de internações e diminuição de novas infecções, com impacto maior entre mulheres em extrema pobreza.

A médica pediu fortalecimento do financiamento do SUS, educação sexual e científica nas escolas e combate à misoginia para conter retrocessos moralistas.

A entrevista completa com Beatriz Grinsztejn está disponível no canal da TV 247.