Assis perde voz por dispersar votos em eleições proporcionais
Votos para centenas de candidatos que só aparecem em campanha deixam a cidade sem deputado com vínculo local e sem emendas

Assis vê candidatos a deputado aparecerem a cada quatro anos, colher votos e desaparecer após a apuração, dispersando a votação local.
Essa dispersão impede a formação de um reduto eleitoral e deixa a cidade sem parlamentar com compromisso permanente, reduzindo acesso a emendas e interlocução direta com gabinetes.
No sistema proporcional, o voto individual conta também para a força do partido: São Paulo é um distrito único que elege 70 deputados federais e 94 deputados estaduais em circunscrição estadual, sem cadeiras reservadas a Assis.
Para eleger-se, um candidato precisa alcançar ao menos dez por cento do quociente eleitoral, e o partido ou federação precisa atingir o quociente para participar da distribuição de cadeiras; votos espalhados por muitos nomes não elegem ninguém.
Sem parlamentar comprometido, Assis depende de boa vontade alheia para emendas parlamentares de custeio e investimento em saúde, infraestrutura urbana e equipamentos hospitalares, além de perder a interlocução direta para demandas da Santa Casa, do campus universitário, da rodovia e do distrito industrial.
Assis tem mais de cem mil habitantes e, sozinha, dificilmente reúne votos suficientes para eleger representantes nas duas casas; articular os municípios da região pode viabilizar a formação de uma bancada regional.
Como saída prática, entidades locais e regionais — associações comerciais, sindicatos, entidades de classe, universidades e conselhos municipais — devem promover sabatinas públicas antes do pleito e buscar convergência em torno de um número reduzido de candidatos com compromissos documentados.