Amorim: classificar PCC e CV como terroristas não traz ganhos concretos
Assessor especial Celso Amorim disse à CREDEN que medida dos EUA prejudica investigações e ameaça soberania.

Celso Amorim afirmou nesta quarta (12/8) que a classificação do PCC e do CV pelos EUA não gera "ganhos concretos".
A medida, segundo Amorim, prejudicou operações da Polícia Federal: uma ação antecipada pelos EUA impediu a captura de um investigado no Brasil.
Amorim é assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais e prestou esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDEN) da Câmara.
O ofício do Itamaraty mencionou temor de uso de força militar por Washington após a decisão que em maio classificou PCC e CV como organizações terroristas.
Amorim citou que os mecanismos vigentes entre Brasil e EUA já permitem troca de inteligência, cooperação policial, extradições, apreensão de bens, recuperação de ativos e combate à lavagem de dinheiro.
Ele alertou que "interpretações extremas" da classificação como terrorista foram usadas para justificar operações de força em outros contextos, citando ações após 11 de Setembro e operações na Venezuela que culminaram na captura de Nicolás Maduro.
Amorim reiterou o posicionamento do ministro Mauro Vieira e mencionou a Estratégia 2025 dos EUA, que prioriza o Hemisfério Ocidental e reforça a influência americana sobre a região.
12/8 — data em que Amorim falou na CREDEN
maio — mês em que o Departamento de Estado dos EUA classificou PCC e CV como organizações terroristas
"Do ponto de vista jurídico, a classificação não produz ganhos concretos para a cooperação internacional", disse Amorim à CREDEN.