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3.834 hectares autorizados em Chapadinha; comunidade perde roçados e água

Incra assinou documentos sem consultar moradores; Sema-MA tem até setembro para explicar licenças que favoreceram a GMB.

Redação POLITICA.SP11 de ago. de 2026 · 20h053 acessos📲 Enviar no WhatsApp
3.834 hectares autorizados em Chapadinha; comunidade perde roçados e água
Reprodução: ojoioeotrigo.com.br

GMB Investimentos Holding recebeu autorização desde 2022 para desmatar 3.834 hectares em Chapadinha, Maranhão.

O Tribunal de Justiça do Maranhão determinou que a Sema-MA apresente o procedimento de licenciamento e deu prazo até setembro para responder.

Quando o empresário Gustavo Maretto de Barros chegou à região, máquinas atingiram os roçados da Vila dos Borges, destruindo alimentos usados na temporada de bacuri de três meses; moradores relatam perda de acesso a áreas por ações da GMB e medo de represálias.

O agrotóxico aplicado nas chapadas desce para o açude da comunidade, contaminando água usada para beber, cozinhar e irrigar roçados; ao menos um terço dos 3.834 hectares já foi derrubado, afetando mais de 200 famílias extrativistas de bacuri.

O Incra assinou documentos de confrontantes para ações de usucapião sem consultar os camponeses; a GMB obteve autorizações de supressão na Sema-MA e pediu licenças de desmatamento para implantar lavouras de soja.

A GMB recebeu R$ 44 milhões em empréstimos subsidiados do Estado via Itaú e Banco do Nordeste para capitalizar o plantio.

3.834 hectares — área total autorizada para desmatamento em Chapadinha

R$ 44 milhões — empréstimos subsidiados recebidos pela GMB

999 hectares — pedido inicial de Licença Única Ambiental protocolado em dezembro de 2021

773 hectares — autorização assinada em 9 de maio de 2022 pela então secretária-adjunta da Sema-MA

832 hectares — licença que autorizou derrubada entre agosto de 2023 e maio de 2026

A GMB afirmou não ter conhecimento sobre o interesse social nas áreas e disse que “todas as consultas e os procedimentos padrão foram realizados pelos órgãos competentes, dentro da legalidade”.

Seu Anastácio resumiu o impacto local: “Ele veio e destruiu tudo.”

A Sema-MA tem até setembro para explicar como aplicou a regra que exige Consulta Livre, Prévia e Informada a povos e comunidades tradicionais; a decisão do TJ-MA obriga a secretaria a apresentar os procedimentos de licenciamento relacionados ao assentamento Vila dos Borges.