Obras de infraestrutura puxam crescimento da construção e mantêm empregos no 1º semestre
CBIC mantém projeção de expansão de 1,2% para 2026, apesar de juros altos, custos acima da inflação e queda da confiança

CBIC manteve a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026.
A manutenção da previsão decorre do avanço de concessões, PPPs e investimentos privados em saneamento, que compensaram a perda de fôlego do mercado imobiliário.
Entre janeiro e junho, obras de infraestrutura criaram 64.793 vagas formais, alta de 30,3% na comparação anual; construção de edifícios gerou 60.552 vagas, queda de 2,19%; serviços especializados registraram 43.617 vagas, recuo de 7,14%; o setor abriu 168.962 postos, crescimento de 6,5% no semestre.
O volume financiado com FGTS e SBPE somou R$ 160,3 bilhões no primeiro semestre, avanço de 17,5% sobre 2025; o SBPE cresceu 28,55% e foram financiadas 563,4 mil unidades habitacionais no período.
O Índice de Confiança do Empresário da Construção ficou em 47,2 pontos no semestre, o menor nível desde 2016; o indicador “Nível de Atividade” fez 46,4 pontos, o menor patamar desde 2020.
A taxa básica de juros em dois dígitos volta a ser a principal preocupação do setor, impactando demanda imobiliária, capacidade de investimento e endividamento das famílias.
Os custos pressionam: INCC subiu 6,44% em 12 meses até julho e o CUB Brasil avançou 7,06% em 12 meses até junho; materiais com altas expressivas incluem fio de cobre (+21%), cimento, esquadrias, vidro e concreto.
"O melhor dinamismo das obras de infraestrutura e os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos, que ainda estão em execução, nos levaram a manter a projeção de crescimento", afirmou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.
Eduardo Almeida, presidente da CBIC, relacionou o desempenho ao aumento de investimentos privados em infraestrutura, e citou que 84% desses investimentos vêm do setor privado, segundo dados da ABDIB.