Roubo de fios vira epidemia e comerciantes cobram reação do poder público
Oito em cada dez lojistas foram afetados em um ano e prejuízo pode passar de R$ 240 milhões em Porto Alegre

O roubo de fios e cabos deixou de ser ocorrência isolada e virou um problema que atinge o comércio de Porto Alegre em larga escala. Dados do Sindilojas POA, divulgados por Zero Hora, mostram que oito em cada dez lojistas tiveram seus negócios impactados nos últimos 12 meses.
Em um terço dos 94 bairros da Capital há relatos de prejuízos. Azenha concentra 12% das ocorrências informadas pelos comerciantes, seguida por São Geraldo, com 9%, Centro Histórico, com 8%, e Moinhos de Vento, com 7%.
A situação chega ao ponto de seis em cada dez lojistas terem precisado paralisar suas atividades. Em quase 30% dos casos, o estabelecimento ficou fechado por mais de 24 horas. A estimativa de prejuízo varia entre R$ 63,7 milhões e impressionantes R$ 241,4 milhões.
O dado que deveria constranger as autoridades é ainda mais direto. Para 74,2% dos entrevistados, o poder público não está atuando adequadamente no combate ao problema.
Enquanto comerciantes pagam impostos, investem em segurança e arcam repetidamente com os prejuízos, criminosos continuam arrancando cabos das ruas. Falta uma resposta mais firme, integrada e visível das autoridades, com repressão aos furtos, investigação dos receptadores e fiscalização de quem compra material roubado.
O comerciante não pode continuar pagando a conta da criminalidade e também da incapacidade do poder público de enfrentar um problema que já se tornou rotina.