Presidente do BC defende juros contracionistas para frear demanda
Gabriel Galípolo falou em São Paulo que autoridade monitora pressão da demanda e rechaçou calibrar a Selic para estimular consumo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta segunda (17 de agosto de 2026), em São Paulo, que a política monetária deve buscar um patamar contracionista para conter a demanda doméstica.
O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom, reduzindo a taxa para 14% ao ano; o comunicado abriu a possibilidade de novo corte de 0,25 ponto, visão que divide analistas de mercado.
Galípolo disse que o BC “não está pilotando a política monetária pensando em colocar a taxa de juros... para colaborar com o crescimento puxado por mais consumo e mais demanda” ao falar na conferência em São Paulo.
O presidente afirmou que o país está em momento de pleno emprego e que a economia cresce com demanda acima da oferta, por isso a autoridade busca reequilibrar oferta e demanda com juros em patamar restritivo.
Galípolo afirmou que o debate deve migrar para aumento da produtividade e que é preciso tornar os juros de longo prazo mais atraentes para financiar investimentos que aumentem a produtividade.
Além da política monetária, ele falou sobre o Pix: chamou o sistema de “patrimônio da sociedade brasileira”, disse que ele virou referência internacional e que, inicialmente, havia receio sobre incentivos do setor privado para bancar a ferramenta pública.
O presidente do BC apontou que o tempo mostrou benefício ao setor privado pela inclusão de clientes e redução de custos operacionais, citando especificamente o transporte de valores.
Ao tratar da internacionalização e pagamentos transfronteiriços, Galípolo alertou para a proliferação de redes e infraestruturas paralelas, que “oferecem ameaça a toda a estrutura regulatória e de supervisão” construída ao longo de décadas.
Ele destacou que as prioridades do Banco Central incluem fortalecimento da cibersegurança e uso de inteligência artificial para aprimorar a experiência do cliente na escolha de crédito e investimentos.