Mina de carvão é apontada por moradores como causa de cheias em Arroio dos Ratos
Ministério Público abriu inquérito em maio de 2024; relatório já reúne 3,9 mil páginas e investiga diques e licenciamento.

Moradores e técnicos afirmam que a mineradora Copelmi intensificou as enchentes que inundam Arroio dos Ratos.
O Ministério Público instaurou o inquérito em maio de 2024, que já soma 3,9 mil páginas e ainda não tem conclusão.
Mateus Barros, morador, disse que antes as enchentes eram esporádicas; "Levava de três em três anos... Depois que a mineradora levantou os diques, fez as barreiras, a água não tem como retornar." Ele saiu de casa de barco em maio de 2024.
O Instituto Arayara apontou faltas no licenciamento: não havia projeto técnico adequado para o dique de contenção, segundo John Wurdig, gerente de transição energética do Arayara.
A mina se expandiu para áreas mais próximas dos bairros sem novos estudos de impacto ambiental nos pedidos de licenciamento.
Técnicos da Fepam registraram, em 2023, uma "possível inviabilidade ambiental do projeto"; a Copelmi também pediu exclusão da exigência de estudos de inundação, disse Wurdig.
Em dezembro de 2025, reunião convocada pela deputada Luciana Genro reuniu Fepam, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e a prefeitura; a Comissão de Moradores mencionou um "estrangulamento" das margens do arroio causado pela exploração dos dois lados.
3.900 páginas — extensão atual do inquérito instaurado em maio de 2024
"A própria Copelmi pediu para excluir a necessidade de estudos de inundação", afirmou John Wurdig, do Instituto Arayara.
O inquérito ainda deve gerar novos desdobramentos investigativos e procedimentos administrativos.