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Brasil perdeu vegetação nativa equivalente a duas vezes a França em 40 anos

Redução amplia vulnerabilidade a secas, inundações e incêndios diante de um El Niño potencialmente excepcional neste ano.

Redação POLITICA.RS12 de ago. de 2026 · 13h3110 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Brasil perdeu vegetação nativa equivalente a duas vezes a França em 40 anos
Wilfredor (CC BY-SA 4.0) via Wikimedia Commons

O Brasil perdeu, nas últimas quatro décadas, uma área de vegetação nativa duas vezes maior que a França.

A queda na cobertura aumenta a vulnerabilidade a eventos extremos ligados ao El Niño, que deve se intensificar até o fim do ano.

A rede MapBiomas publicou seu estudo anual nesta quarta (12), dizendo que a vegetação nativa passou de 79% para 65% do território brasileiro em 40 anos.

As maiores perdas ocorreram na Amazônia e no Cerrado, e grande parte das áreas foi convertida para agricultura e pecuária.

Terras agrícolas e de pecuária ocupam agora 32% do Brasil, contra 18% em 1985.

Uma análise do MapBiomas mostra que regiões dominadas pela agricultura foram mais vulneráveis a eventos extremos em três episódios passados de El Niño de grande intensidade.

Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas, afirmou que áreas desmatadas da Amazônia registraram "uma queda mais significativa das precipitações" no El Niño 2023-2024, enquanto áreas agrícolas do sul tiveram "precipitações excessivas" em comparação com zonas de vegetação nativa.

O Rio Grande do Sul sofreu inundações históricas em 2024 que deixaram quase 200 mortos; chuvas causaram perdas de 143 mil toneladas no campo gaúcho.

O governo brasileiro emitiu, no mês passado, advertência sobre um "El Niño muito forte" neste ano; a maioria dos modelos prevê um episódio de magnitude excepcional em meio ao aquecimento global.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alertou que um "Super El Niño" pode afetar cultivos cruciais, como café, soja e açúcar.