Estudo da UFG: periferias de Goiânia concentram as maiores ilhas de calor
Pesquisa mapeou a Temperatura da Superfície Terrestre e cruzou com Índice de Vulnerabilidade Social; periferias têm menos infraestrutura para se adaptar

Um estudo do Programa de Pós‑Graduação em Geografia da UFG mostra que bairros periféricos de Goiânia sofrem mais com ilhas de calor relacionadas à vulnerabilidade social.
A pesquisa usou imagens de satélite para mapear a Temperatura da Superfície Terrestre (TST) e cruzou esses dados com o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), identificando periferias como as mais expostas ao calor.
A tese de doutorado de Ana Cristina Araújo Foli aponta Jardins do Cerrado, Vila Mutirão, Jardim Nova Esperança, Parque Tremendão, Jardim Novo Mundo, Setor São José, Parque Eldorado Oeste, Jardim Dom Fernando I e II, Setor Garavelo, Setor Caravelas, Conjunto Vera Cruz e Solange Park I e II entre os locais mais vulneráveis e quentes.
A pesquisa observa que a combinação de pouca área verde, alta impermeabilização do solo e menor capacidade econômica das famílias torna esses bairros mais suscetíveis aos efeitos das altas temperaturas.
André Amorim, diretor do Cimehgo, relaciona o aquecimento ao adensamento e à verticalização desordenada em avenidas, à supressão da cobertura vegetal e ao excesso de asfalto e concreto, que criam barreiras à circulação de ventos.
O estudo registra que bairros centrais e de maior poder aquisitivo também registram temperaturas elevadas, mas têm maior capacidade de adaptação via arborização privada e recursos tecnológicos para climatização.
Juliana Matos, vice‑presidente do Crea‑GO, defende que drenagem, mobilidade e arborização devem ser planejadas de forma integrada e com prioridade nas regiões historicamente negligenciadas.
A tese recomenda criação de mais áreas permeáveis e corredores de ventilação para mitigar o impacto ambiental e usar o planejamento urbano como ferramenta de justiça social.
50 mil — população para a qual Goiânia foi originalmente projetada, segundo a pesquisa