Brasileiros perderam R$ 62,5 bi para bets em 2025
Boletim do Comsefaz usa dados do Banco Central e aponta média mensal de R$ 4,7 bi em perdas entre out/2024 e mar/2026

Famílias brasileiras tiveram prejuízo de R$ 62,5 bilhões com plataformas de apostas em 2025.
A média mensal de perdas foi de R$ 4,7 bilhões entre outubro de 2024 e março de 2026, equivalente a 0,68% do orçamento das famílias.
O Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, divulgado quinta‑feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) com base em estatísticas do Banco Central, calcula a diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em prêmios.
A regulamentação do setor ampliou transferências via Pix: no acumulado de 2025 os pagamentos instantâneos movimentaram R$ 350,9 bilhões; em janeiro de 2025, antes da regulamentação, as transferências mensais para empresas do segmento giravam em torno de R$ 5 bilhões; poucos meses depois o volume superou R$ 40 bilhões no pico, com média de R$ 24,1 bilhões; nos últimos meses de 2025 houve queda no ritmo.
O relatório aponta que a restrição, a partir de outubro de 2025, à participação de beneficiários de programas sociais — Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) — foi o fator mais preponderante na redução do volume agregado de transações.
Desde 17 de julho o Ministério da Fazenda impôs sanções às publicidades do setor: operadoras devem advertir que "apostar faz perder dinheiro", "pode causar dependência" e "não é investimento"; ficam proibidos anúncios que incentivem apostas com base na expertise de comentaristas, especialistas ou influenciadores.
As penalidades incluem multas de até 20% do faturamento, limitadas a R$ 14 milhões, suspensão de licença por 180 dias e cassação em caso de reincidência.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) repudiou o levantamento, afirmou que os números não representam o setor regulado e citou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA‑MF): receita bruta do setor em 2025 de R$ 37 bilhões, 40% abaixo do valor do boletim.
A ANJL também apontou que, entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas, e criticou a agregação de diferentes segmentos na medição do volume financeiro.